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Entrevistada: Geisa C. Santos – Estagiária da SPM e Acadêmica de Serviço Social da UCSAL
SPM: Como foi concebida a idéia inicial da sua pesquisa sobre as mulheres negras e lésbicas em Salvador?
Geisa Cristina Santos: A partir da minha vivência com o movimento de mulheres, com o Movimento Negro e o Movimento LGBT. A construção do projeto de pesquisa Mulher Negra Lésbica: uma abordagem nos projetos da Superintendência Especial de Políticas para as Mulheres – SPM, foi iniciado em 2007, com a coleta das observações das participantes do Curso Promotoras de Saúde e sua indicação de aprofundar esta temática.
SPM: Qual o objetivo do seu projeto?
Geisa Cristina Santos.: O Projeto Rompendo o silêncio e a invisilidade: mulheres negras lésbicas têm como objetivo provocar reflexões e ações, visando ampliar o debate sobre as condições específicas das mulheres negras lésbicas de Salvador, para que sejam vistas como sujeitos de direitos. A perspectiva é abrir novas abordagens sobre o papel dessas mulheres no sistema tradicionalmente patriarcal, machista, sexista, racista e lesbofóbico.
SPM.: As ações da pesquisa são direcionadas para um público específico?
Geisa Cristina Santos: Sim, para as mulheres negras lésbicas e mulheres simpatizantes, a partir de 18 anos, residentes dos bairros periféricos de Salvador, de diversas escolaridades.
SPM: Em que consiste estas ações?
Geisa Cristina Santos: Desde junho de 2008, já realizamos três (03) rodas de conversa nos bairros (duas em Pero Vaz e uma no Calafate); a proposta é que seja ampliada para outros bairros como Cosme de Farias, Santo Inácio, Paripe, Plataforma; e estamos em contato com outros dirigentes de entidades e grupos na perspectiva de obter espaços para execução do projeto. Mas, estamos à disposição para contatos e sugestões de outros locais.
SPM.: Quais são os procedimentos para as interessadas em ceder tais espaços?
Geisa Cristina Santos: Basta entrar em contato com a SPM/Salvador, através do telefone 2108-7309 e procurar Geisa Santos, Marta Leiro ou Luciana Ribeiro para conhecer melhor a nossa proposta do projeto. Ou, se preferir, a pessoa pode ir até a sede da SPM, que fica na Av. Sete de Setembro, nº 202, Ed. Adolpho Basbaum, 4º andar, Ladeira de São Bento.
SPM: Como são realizadas as rodas de conversas?
Geisa Cristina Santos: Baseado em uma perspectiva crítica, feminista e com uma relação intrínseca com a ação política, visando discutir idéias e práticas de um agir político que leve em conta a autonomia, a contribuição e o valor das mulheres negras lésbicas de Salvador. O diálogo acontece através de dinâmicas que proporcionam um ambiente motivador de conversas, convivência, reelaboração de informações e construção de novos posicionamentos.
SPM: Quais os próximos passos após a conclusão do projeto?
Geisa Cristina Santos: Produzir dados, a partir das vivências dessas mulheres, que serão analisados e posteriormente apresentados sob forma de monografia, fazendo parte do trabalho de conclusão de curso para obtenção do título de Bacharel em Serviço Social conferido pela Universidade Católica do Salvador.
SPM: Você poderia citar alguma intelectual ou pensamento que tenha inspirado seu trabalho?
Geisa Cristina Santos: Sim. “Eu simplesmente não acredito que um aspecto de mim pode possivelmente lucrar da opressão de qualquer outra parte de minha identidade. E eu não posso escolher entre as frentes em que eu devo batalhar essas forças da discriminação, onde quer que elas apareçam para me destruir. E quando elas aparecem para me destruir, não durará muito para que depois eles aparecerem para destruir você”. Audre Lorde, ativista, poeta e escritora, faleceu em 1992 após 14 anos de luta contra seu câncer de mama. É uma grande referência de feminista negra radical e lésbica radical negra.
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